Tradicionalmente, a formação académica visa transmitir conhecimentos considerados importantes pela nossa civilização e resulta do nosso percurso em instituições de ensino, se bem que, a partir de certo ponto, a nossa emancipação intelectual nos permite "soltar as amarras" no campo académico e sermos nós próprios a navegar no imenso "mar do conhecimento". Exemplo máximo disso são todos aqueles que estão habilitados com o grau de doutoramento (e posteriores). Nesses casos, a sua investigação pessoal permitiu ver mais além numa determinada área, contribuindo para o avanço científico dessa área do saber.
Voltando ao nosso pequenino e pobre mundo lusitano, a deficiente formação em geral é um dos principais cancros sociais. Neste momento, talvez o principal. Victor Hugo dizia, e o saudoso Prof. António Freire corroborava, que o futuro da humanidade estava nos professores primários. Como diz o ditado, é de pequenino que se torce o pepino, pelo que é bom começar a construír a nossa personalidade e o nosso edifício do saber com bons alicerces para que um dia possamos pensar livremente pela nossa cabeça... (mesmo que não sejamos doutores)
Aproveito para dizer que sempre achei curioso tratarmos profs. primários e profs. universitários por "Professor", ao invés do simples "Sr. Dr." do secundário. Claro que isto também se prende com os graus de habilitações respectivos, sendo que licenciados, praticamente só eram os do secundário. Os do básico estudavam no Magistério, e os universitários tendiam a ser doutorados. Mas fica sempre implícita uma ideia de quem, por motivos diferentes, tem um papel fulcral no ensino.
Apesar de ser inteiramente leigo na matéria, convivo com professores de vários graus que gostam do que fazem. No meu modesto entender, mas também na visão destes, a educação pressupõe assimilação de conteúdos que é testada no momento da avaliação. Facilitar a avaliação leva à não aprendizagem e, em última instância, à perpetuação das baixas competências, relacionáveis directamente com a baixa produtividade da mão de obra nacional. Ora, como se sabe, baixa produtividade é sinónimo de pouca competitividade neste mundo global, que, por sua vez, leva a pouca geração de riqueza. (quer seja por não atrair investimento que se desloca para países de mão de obra igualmente barata mas mais instruída e produtiva, quer seja pela não optimização da força de trabalho das empresas existentes).
Paralelamente, e voltando ao início deste texto, acredito que a formação cívica e moral de um povo influencia directamente a qualidade da sua participação social e política, contribuindo também desse modo para um melhor futuro conjunto. A educação e formação de uma pessoa não devem ser meramente técnicas.
Este tema é demasiado vasto e importante para ficarmos por aqui, pelo que voltaremos a ele.
"O Milagre" - Artigo de opinião de António Barreto, editado pelo Público de 02/11/08, que se interroga sobre a súbita melhoria geral de classificações no espaço de um ano... ("limpar o lixo para debaixo do tapete" é bonito nas estatísticas, mas compromete o futuro...)
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