
O PSD continua a ser o principal partido autárquico em Portugal, com maior número de autarquias conquistadas, se bem que o PS tenha sido o partido mais votado por todos os munícipes nacionais. Conseguiu também "roubar" votos à esquerda e à direita (Leiria e Beja, p. ex.) Dois partidos vencedores, pois!
A CDU mostrou a sua força na margem sul e Alentejo, e o CDS e BE provaram, mais uma vez, não ter implantação autárquica.
Alguns resultados merecem reflexão. Começando por Lisboa, foi privilegiada uma solução de continuidade, engrandecendo António Costa...e Santana Lopes. A renovação da imagem política deste último está feita, tal como a de Paulo Portas (o outro derrotado de 2005). Sintra continua com Seara.
O Porto parece definitivamente ter separado a política do futebol e, em Gaia, Menezes sai reforçado como um dos mais apreciados autarcas (pelos seus) do país, num concelho bastante relevante.
Braga e Coimbra, para mim as verdadeiras "terceiras cidades" deste país (não são área metropolitana de ninguém e tem peso histórico, político e económico q.b.) reelegeram Mesquita Machado e Encarnação. Quando ao autarca bracarense, destaca-se por conseguir manter o poder 37 anos, se atingir o fim do presente mandato, sendo limitado por via legal, não popular. Mesmo tendo obtido fraca margem agora e em 2005, não deixou de ganhar...e de nos pôr a pensar que o eleitorado é muito mais sensível a "obra" visível que a questões éticas, de respeito pela natureza, pelo património, pelo urbanismo, entre outras.
Nesse sentido, estão de parabéns os munícipes de Felgueiras, ao contrário da maioria dos eleitores de Gondomar ou de Oeiras, pela deposição da senhora homónima, embora não saiba até que ponto foi motivada por questões meramente éticas...
Para concluir, e retomando a ideia de ciclo político, ficou provado que o PSD ainda tem mais implantação nas populações locais que o PS, não minimizando, obviamente, a força pessoal de cada candidato no contexto autárquico. Aliás, é essa força pessoal que faltou no combate com Sócrates para a liderança nacional. Sócrates, bem ou mal, uniu o partido e, de certa forma, o país. A Ferreira Leite falta esse carisma que outros tiveram (Rangel nas europeias e Rio nas autárquicas).
Esperemos as cenas dos próximos capítulos no PSD...




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