
Acabado de entrar de férias, aproveitei para visitar a capital na companhia de um grande amigo que lá trabalha actualmente.
Chegado a Sta. Apolónia, seguimos até à Amadora dado um compromisso que ele tinha marcado.
Pouco depois, regressamos ao centro. Estacionamos no início da Av. da Liberdade, mesmo junto ao Hard Rock Café, e aproveitei para fazer aquilo que ainda não tinha feito, ou seja, encarar a capital apenas na perspectiva de turismo, como quando me encontro noutro país qualquer! Comecei a tirar fotos logo aos Restauradores, Rossio, Estação do Rossio (que está remodelada no interior) e Teatro D. Maria II.
Tivemos então uma ideia: por que não experimentar um autocarro turístico? Afinal, nunca nenhum de nós o tinha feito! Escolhemos a Tagus Tour, apanhando o autocarro no Rossio, seguindo pelos Restauradores, Av. Liberdade, Marquês do Pombal, Av. Fontes Pereira de Melo, Saldanha, Av. da República, contornamos o Campo Pequeno passado pelo magnífico edifício da Caixa Geral de Depósitos, seguimos pela Av. de Berna passando pelos jardins da Fundação Gulbenkian, contornamos a Praça de Espanha, seu arco e seu mercado, seguimos junto ao El Corte Inglês até à Av. Cardeal Cerejeira onde vi, até hoje, a maior bandeira de Portugal e uma das mais fantásticas vistas sobre Lisboa, com todo o Parque Eduardo VII e o Marquês a minha frente sob o pano de fundo do Tejo... Lindíssimo! Seguimos então até às torres do Amoreiras, projecto de Tomás Taveira que data já de 1985, até ao Largo do Rato (onde fica a sede do PS) descendo até Alcântara passando pela magnífica Basílica da Estrela e os jardins envolventes. Em Alcântara, a vista sobre a Ponte 25 de Abril, inaugurada em 1966 como Ponte Salazar pelo próprio é soberba. É, a par com a Torre de Belém e a Praça do Comércio um dos símbolos de Lisboa. Seguimos sempre até à zona de Belém passando pelo Padrão dos Descobrimentos (realizado em 1940 para a Exposição do Mundo Português) e pela Torre de Belém.
Sinceramente, nunca tinha estado junto a esta joia do manuelino, erigida como fortificação na barra do tejo, tem um beleza única ajudada pela mistura de estilos e sua decoração com os motivos da época (a esfera armilar, cruz de cristo e cordas com nós). É o símbolo da época maior de Portugal! Bem perto, a réplica do biplano "Santa Cruz" evoca a primeira travessia do Atlântico Sul, feita em 1922 por Gago Coutinho e Sacadura Cabral. Outro pormenor captou a minha atenção: O farol do Bugio. Fica situado mesmo a meio da barra do tejo e tem uma traça inspirada no Castel Sant' Angelo, de Roma.
Depois desta curta paragem em Belém, seguimos a nossa viagem (que incluia suporte audio) pois a noite já se abatia sobre a cidade, junto ao monumento preferido da minha amiga Chara, o Mosteiro dos Jerónimos, que é ainda mais belo iluminado... Passamos junto ao palácio presidencial e ao Museu dos Coches, seguindo sempre pela Av. 24 de Julho até ao Cais do Sodré e em seguida saímos na Praça do Comércio, também conhecido como Terreiro do Paço, pois ali existiu, até ao terramoto de 1755, o paço real da Ribeira.
Gosto desta praça em particular, a sala de estar de Lisboa. É, como toda a baixa pombalina, bela pelo sua simetria e grandiosidade. Demonstra cuidadoso planeamento, ao contrário da Lisboa pós-25 de Abril, onde a especulação imobiliária, e não o poder político, realmente decide...
Seguimos pela rua augusta até junto do magnífico elevador de Sta Justa, uma notável obra de engenharia, com toda a beleza da arquitectura do ferro. Mesmo ao lado, o restaurante oriental Wok, permite comer o que quisermos e quanto quisermos a preços bem modestos! E não tem necessariamente de ser comida oriental, para quem não apreciar!
Seguimos até ao Saldanha, onde supostamente eu ficaria hospedado... Apesar da confirmação, a reserva não se encontrava efectuada! E agora? Como encontrar alojamento em Lisboa no fim de semana em que a Madona lá ia tocar? A senhora da recepção, vendo a minha confirmação impressa, tratou logo de contactar outra residencial próxima e lá fui eu pousar tudo. Ainda fiquei a ganhar o pequeno almoço pelo mesmo preço, não oferecido na primeira!
Seguimos então até um Pub irlandês no Cais do Sodré para beber um litrinho de Guiness, mas nada de deitar muito tarde porque no dia a seguir havia muito que ver...
Dia seguinte tomamos o pequeno almoço na residencial e seguimos para Sintra. Estacionamos mesmo junto à Quinta da Regaleira, uma quinta de sonho, actual propriedade da Câmara de Sintra e andamos a desvendar os misteriosos locais criados pelo italiano Luigi Manini... Do interior do palácio destaco a sala dedicada aos reis, onde além destes, aparecem curiosamente os escudos das 4 principais cidades portuguesas. Gostei muito de subir à torre, mas quero salientar o perigo que vi numa sala da biblioteca, em que o chão não vai até à parede, que é feita de estantes com livros que já vêm desde o andar inferior. O perigo está naqueles 30/40 cm de "nada", suficientes para nos entalarmos bem. Merecia alguma vigilância este espaço, ainda para mais com crianças a visitá-lo! Cá fora, belas fontes, jardins, grutas e um espectacular "poço iniciático" seduzem pelo ambiente onírico criado.
Como o tempo apertava e ainda havia mais Lisboa pela frente para ver, acabamos por não visitar nem o Paço Real, nem o Palácio da Pena, nem o Castelo dos Mouros, para citar os locais mais emblemáticos. Há que deixar algo para descobrir numa próxima vez...
Novamente em Lisboa, optamos por uma visita à zona antiga, em particular, por uma visita ao Castelo de S. Jorge. Visto da baixa, parece observar-nos... majestático, mas também gracioso, resquício de outros tempos e outras batalhas, bem anteriores a tudo o resto que podemos observar na capital. Aproveito para tirar fotos com fantásticas perpectivas de toda a baixa, da ponte 25 de abril, enfim, de todo o centro de Lisboa e bem para além dele... Fomos à Torre de Ulisses e ao Castelejo, núcleo da fortificação, e subitamente lembro-me de Guimarães e de Salazar, exactamente pelas obras de restauro dos anos 40 de alguns dos monumentos mais emblemáticos dos primórdios da nossa nacionalidade (Castelo e Paço dos Duques, p. ex) tal como o Castelo S. Jorge.
Mais umas fotos e dirigimo-nos para a saída, não sem antes levantar dinheiro... dentro de um castelo medieval! O próprio D. Afonso Henriques, que não está distante do local, gelou de estupefacção! Já cá fora, aproveitei para comprar uma miniatura de algo emblemático na cidade, neste caso, a Torre de Belém. Graças a este vício, já não sei bem onde meter tanta miniatura...
Após isto ainda fizemos uma rápida passagem pela Sé e pela Casa dos Bicos, só para fotografar e em seguida deslocamo-nos, de metro, para o Oriente, parando na espectacular estação de Olaias.
Lá chegados, já não havia bilhetes de turística disponíveis para o Alfa Pendular. Voltei a viajar na classe Conforto, lamentavelmente sem levar o portátil para me entreter, já que até o pormenor da tomada tem. A viagem acabou por atrasar bem mais de meia hora devido ao atropelamento de um peão logo a seguir a Coimbra B. Que Deus tenha a sua alma!
Quero frisar que este passeio turístico não teria sido possível sem toda a disponibilidade do Pedro. Agradeço-te por isso e... vou aparecer por aí mais vezes...