
Roma, a cidade eterna, ou a cidade das sete colinas, foi o meu primeiro destino de férias este ano, talvez pelo gosto pela história da Antiguidade ou pela língua latina!
Não tendo muito tempo disponível (entre uma quarta-feira e um sábado) decidimos empregar a quarta para nos ambientarmos à cidade.
Os voôs decorreram sem sobressaltos, exceptuando a forte travagem na aterragem em Ciampino, em virtude do reduzido comprimento da pista. Deslocamo-nos de comboio do aeroporto para a estação central (Termini). Lá chegados, o Hotel Cambridge aguardava-nos umas meras quatro ruas para leste.
No Hotel encontrei, além da óptima localização e preço, uma equipa atenciosa, simpática e guias de Roma em... português! Comprei um que me acompanhou nos restantes dias.
Ainda na quarta à noite, a curiosidade era imensa, pelo que fomos ver de perto o Anfiteatro Flávio, ou Coliseu, recentemente considerado uma das sete maravilhas do mundo...
Grandiosidade, elegância e proporção de formas são os seus atributos. Sempre me habituei a vê-lo em fotos ou filmes, mas estar junto àquele edifício mítico que atravessou praticamente dois milénios de existência, provoca uma sensação particular... Na proximidade, outro monumento capta a minha atenção: é o Arco de Constantino, um belo arco triunfal de mármore, pleno de baixos relevos e muito bem conservado, imortalizando o nome desse imperador que introduziu a tolerância de culto no império.
Já cansados e não estando uma noite particularmente agradável, voltamos ao Hotel.
Quinta-feira foi o dia subordinado ao tema "Roma clássica".
Visitamos o foro romano, onde destaco os magníficos arcos de Séptimo Severo e de Tito, os foros imperiais, onde ainda é bem visível o mercado de Trajano, bem como a sua coluna, (a única peça conservada no seu local desde essa época), o que resta do circo máximo, a boca da verdade (infelizmente, não conseguimos comprovar se mentimos ou não, dada a quantidade de turistas orientais no local...), a "Isola Tiberina", a Praça de Veneza com o magnífico palácio nesse estilo e o gigantesco "Vitoriano" (apelidado de "bolo de noiva" ou "máquina de escrever"pelos romanos...)
No foro romano, além dos imponentes arcos e restos de templos, dois pormenores captam a minha atenção: as flores depositadas no "Ara di Cesare" prestam um última homenagem no local onde se realizou o funeral do famoso político e militar Caio Júlio César.
Uma pequena placa indica a "cloaca maxima". Trata-se de um primitivo e eficiente sistema de esgotos com aproximadamente dois milénios e meio de existência. Quando ouço falar de falta de saneamento básico em determinadas freguesias não muito distantes de importantes cidades, penso logo que na Antiguidade eles já existiam...
Grandes homens e grandes maravilhas técnicas, eis o legado de Roma à civilização!
Além do magnífico Coliseu e arcos circundantes, o monumento que mais gostei e que havia de inspirar muitos arquitectos nos séculos que lhe seguiram, é o Panteão. Como o nome indica, é dedicado a todos os deuses.
Não só impressiona pelas dimensões e originalidade do desenho, como também pelo estado de conservação, sendo o único templo clássico a chegar intacto até aos dias de hoje. Construído no terceiro consulado de Marcus Agrippa em 27 a. C., foi destruído por um incêncio em 80 d. C.. Reconstruido no tempo de Adriano, por projecto do próprio em 125 d. C., o templo assume um enormes pórtico e frontão na entrada, e uma parte posterior cilíndrica que sobe até terminar numa gigantesca cúpula de A43mxL43m. Foi até ao século XX a mais larga cúpula feita pelo homem (sim, mais larga que a Miguel Ângelo no Vaticano ou a de Brunelleschi do "Duomo" de Florença...). Esta obra-prima da arquitectura romana demonstra, de forma bem evidente, a mestria que tiveram no uso do tijolo, o material que, quer por resistência, quer por não ser apetecível ao furto, permitiu que muitas construções chegassem até à actualidade.
A noite foi aproveitada para uma visita à praça de S. Pedro, que fixaria o mote para a tarde seguinte: Roma, cidade papal
Sexta de manhã seguimos até aos impressionantes museus capitolinos, cujo edifícios e praça devem a sua traça a Miguel Ângelo e assentam sobre a colina homónima. Destacam-se, além da "cordonata" de acesso, da belíssima arquitectura e decoração interior, os restos do templo de Jupiter (datado do séc. VI a. C.), uma imponente estátua de Marco Aurélio em escala 2:1, restos de uma gigantesta estátua de Constantino e um símbolo da própria cidade: A loba capitolina amamentando Rómulo e Remo, fundadores da cidade (estes 2 são um acrescento renascentista à estátua do séc V a. C.). É possível tocar na vetusta loba!!
Estar num local assim, que foi talvez o mais importante da Roma clássica e palco da assinatura do tratado que constituiu a CEE em 1957, permite mais facilmente compreender a expressão "caput mundi", dada a importância histórica e religiosa que a cidade detêm.
De tarde seguimos para o mais pequeno estado do mundo: O Vaticano. Criado em 1929 para resolver a "Questão Romana", consubstancia-se na imponente Praça de S. Pedro com toda a colunata envolvente e o magnífico obelisco proveniente de um velho circo romano, na basílica de S. Pedro, nos museus do Vaticano, na capela Sistina e pouco mais...
Aproveitamos para conhecer os museus do vaticano e, sinceramente, pareceu-me ser o local artisticamente mais refinado do mundo, contrastando bastante com os ideais de pobreza material verbalizados pela igreja católica... As pinturas, esculturas, frescos, colecções da Antiguidade ou Renascimento ilustram bem a importância que a Itália como país (e a própria religião católica) teve nesses períodos em que foi o verdadeiro farol da humanidade!
Como pontos altos, gostava de salientar a sublime pintura da capela sistina, bem como a cripta da basílica com o túmulo de S. Pedro e importantes Papas como João Paulo II e ainda a "Pietá", executada por Miguel Ângelo quando este tinha apenas 23 anos...
À noite aproveitamos para passear um pouco pelas proximidades do Hotel...
Sábado tinhamos previsto ver o "Castel Sant' Angelo", estranha fortificação usada pelo Papa nos dias mais conturbados da história papal, nascida pela transformação do mausoléu do imperador Adriano. Do seu topo, têm-se uma vista privilegiada sobre o Tibre e o Vaticano.
Mas Roma não é só Antiguidade... Também é famosa pelas suas fontes, praças e igrejas. Da parte da tarde aproveitamos para conhecer a famosa praça de Espanha, assim designada graças à embaixada espanhola, que a moda tornou famosa, devido à bela escadaria que termina numa fonte em forma de barco. Rumamos então à fonte de "Trevi", uma monumental fachada que reúne algumas estátuas em suaves quedas de água para um enorme reservatório. Hum... Será que volto a Roma? Esqueci-me de atirar a moeda... Ainda houve tempo para visitar a praça "Navona", um espaço coincidente com um antigo circo romano, que tem no centro a fonte dos quatro rios, cada um sendo o maior do seu continente e representado em forma de deus-rio.
Já na "Termini", comprei as últimas recordações da cidade eterna. Em seguida voltamos ao aeroporto, onde nos esperava um vôo de regresso com escala em Bergamo, nas proximidades de Milão.
Fazendo um balanço, muito ficou por ver... Não visitamos muitas igrejas importantes, mais museus, parques da cidade, catacumbas, os restos da "Domus Aurea" de Nero, termas, etc, etc...
Claro está que Roma merece várias visitas, até porque o clima e a gastronomia ajudam!
Querem vir numa próxima vez?