sexta-feira, 20 de março de 2009

O adeus a Istambul...


Não sou supersticioso, mas isso pode em breve mudar...

Aproveitando uma excelente iniciativa do E.Leclerc de Braga que oferecia um bilhete a quem fizesse 50€ de compras, mais uma vez me desloquei à "pedreira" com um grande amigo e mais uma vez o SC Braga perdeu...

Desta vez a responsabilidade era grande: ganhando os oitavos de final da Taça UEFA ao Paris St. Germain, o Braga faria história, já que nunca conseguiu ir tão longe na europa! E com o empate em Paris os "quartos" pareciam tão perto... Ainda para mais encaixariam 2.1 milhões de euros, um terço do orçamento da época!

Um pouco à semelhança do que se viu em Paris, o Braga conseguiu marcar o ritmo do jogo e foi procurando activamente a baliza adversária sem grande trabalho no lado oposto para Eduardo. O Braga precisava impreterivelmente de vencer e, talvez mais ainda, de não conceder golos ao adversário em casa depois de um nulo fora. Do lado do Paris St. Germain só vi dois jogadores possantes e com argumentos para contrariar o domínio bracarense: os n.ºs 8 e 10, respectivamente Luyindula e Sessegnon. Do lado do Braga destaco Alan, para mim o melhor jogador dos arsenalistas.

Não gostei da arbitragem, especialmente na mão de Armand aos 6´ na grande área parisiense, bem visível do local onde estava. Aos 19´Sessegnon agride João Pereira na face (quase à minha frente) e novamente Craig Thomson não faz nada... Repetia interiormente que mesmo assim o Braga passaria...

Das boas combinações que o Braga efectuava, a bola raramente chegava em concreto à baliza de Landreau, diversas vezes por hesitação entre jogadores às portas da grande área... Do outro lado praticamente só houve o remate de Chantôme no primeiro tempo e o golo do recém-entrado Hoarau, a gelar a "pedreira"... Os melhores também têm saídas em falso e Eduardo não é excepção!

Mesmo assim, a campanha europeia do Braga este ano foi assinalável, tendo inclusive ganho a Taça Intertoto, entregue no início deste jogo ao capitão Vandinho pelas mãos de Gilberto Madaíl.

No próximo ano há mais europa, agora é tentar o melhor possível no campeonato nacional!

domingo, 8 de março de 2009

Marcha das Sete Fontes


Hoje de manhã assistimos em Braga a uma manifestação genuína de participação cívica em prol do nosso ambiente e património. A "Marcha das Sete Fontes", organizada pela Junta de Freguesia de S. Victor, ASPA e Jovem Cooperante Natureza/Cultura visou alertar a opinião pública e o poder político (Ricardo Rio, p. ex. esteve presente) para o risco que aquele complexo monumental, classificado como Monumento Nacional, corre, na sequência da futura variante que por ali passará, bem como das obras do novo hospital, já em curso.

Tudo começou pouco passava das 9:30h com a concentração dos participantes, estimados em quatro centenas, no largo da Senhora-a-Branca, e os discursos de Firmino Marques (Junta S. Victor), Miguel Bandeira (ASPA) e do nosso coordenador-geral Ricardo Silva (Jovem Coop).

Nunca pensei ver tanta gente (de todos os estratos sociais e idades!) a um domingo de manhã interessada em manifestar-se a favor de um complexo aquífero, coevo do aqueduto das Águas Livres de Lisboa (séc. XVIII), seguindo ordeiramente até uma das mães de água, local onde terminou a marcha, não sem antes assistir a novos discursos de sensibilização dos três citados responsáveis das instituições envolvidas.

Houve tempo para lembrar Luciano Vilas Boas, o arqueólogo que foi despedido porque "ousou" efectuar o seu trabalho contra os interesses da classe do "betão". Este é dos dos pontos que mais me revolta em Portugal. A ligeireza com que se trata a natureza ou o património, que são algo legado pelos nossos antepassados à nossa geração, é sintomática da podridão moral a que chegamos. Cumpre-nos perpetuar esse legado às gerações vindouras! Devemos usufruir e não destruir sistematicamente aquilo que só é nosso transitoriamente. Geralmente há alternativas à pura destruição, haja vontade política... ou exposição mediática para tal!

Para terminar, nada como provar a água que ali brota, que mais que potável é uma água de qualidade como as análises regulares indicam.


(Vide http://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_Fontes_de_S._Victor para melhor conhecimento acerca do complexo monumental em si.)

sexta-feira, 6 de março de 2009

BragaJazz 2009


Começou ontem, e em grande, a décima edição deste já popular festival de Jazz de Braga.

O belíssimo Teatro Circo foi o palco e as estrelas foram André Fernandes, Mário Laginha, Nelson Cascais e Alexandre Frazão, respectivamente nas guitarras, piano/fender rhodes, contrabaixo/baixo eléctrico e bateria/percussão. Protagonizaram um belo espectáculo, como já não via há algum tempo...

Após o concerto, o espectacular Alexandre Frazão ainda seguiu para uma Jam Session no Espaço 14, mas a hora já era tardia, pelo que não pude assistir...

Voltando ao Quarteto, destaco a genuinidade do som de André Fernandes, a apostar em efeitos vocais ou sintetizados, loop's e, especialmente, numa forma particular de extraír novas sonoridades da guitarra, sempre com muita riqueza melódica. As quebras constantes, as variações de ritmo e a qualidade e entrosamento dos participantes faziam o resto, numa palavra: excelente!

Tudo tem uma explicação e André Fernandes é senhor de um currículo riquíssimo, que incluí distinções na Berklee College of Music, a co-fundação de uma editora discográfica e actuações no Carnegie Hall, como, por exemplo, no 80º aniversário de Lee Konitz...

Investiguem um pouco mais este excelente músico através de dois sítios. O oficial de André Fernandes (http://www.andrefernandes.com/) e o seu MySpace (http://www.myspace.com/andrefernandes)

A todos aqueles que gostam de música e de Jazz em particular deixo uma exortação: não percam a oportunidade de ver um concerto destes senhores, do melhor que o nosso país tem!

segunda-feira, 2 de março de 2009

A derradeira viagem de José Megre


Soube recentemente que o Eng. José Megre partiu para um merecido repouso eterno, vítima de cancro de pulmão.

Teve uma vida repleta de aventuras, desde a sua passagem pelos Comandos na guerra colonial às provas de todo-o-terreno (do qual é considerado o pai em Portugal) ou às inúmeras viagens onde percorreu mais de um milhão de quilómetros além fronteiras, conhecendo praticamente todos os estados soberanos do planeta (com excepção do Iraque).

Como partilho o seu gosto pelo automobilismo, viagens e aventuras, aqui fica a minha homenagem a um grande senhor.

domingo, 1 de março de 2009

O 95º aniversário de uma tia-avô

Pais, padrinhos, tios e primos meus decidiram ontem organizar um jantar comemorativo dos 95 anos da minha tia-avó Rosalina. Para não variar, estava ocupado, pelo que só pude aparecer pelas 23.30h.

Apesar da hora, a "tia Lina" mostrou uma jovialidade e memória invulgares para alguém da sua idade. Por aquilo que me contaram, a minha prima Ana fez uma restrospectiva das nossas experiências em criança com esta dedicada tia, que já ajudou a criar várias gerações. Recordo-me perfeitamente da Tia Lina, ainda septuagenária, me levar, quase a correr(!), do Colégio Paulo VI para a paragem no topo direito da Av. Liberdade, junto à sapataria Beleza. Tudo isto se passou em meados da década de 80, quando nos mudamos da Rua 25 de Abril para a actual. Só há menos de 10 anos a Tia Lina deixou de dar a sua volta diária pela cidade...

A sua lucidez continua lá, por vezes com algumas quebras de memória em factos mais recentes. Quanto aos factos mais antigos, aproveitamos para rever fotos centenárias de seus pais (meus bisavós) nos seus tempos do Rio de Janeiro, Porto e Braga. Por vezes esqueço-me que tive um bisavô "rico", originário de Braga, mas que fez fortuna no Rio de Janeiro com cadeias de restaurantes e ilhas de prédios de habitação. Foi das primeiras pessoas a ter automóvel em Braga, e à minha tia-avó, avó paterna e seus irmãos não faltaram professoras de música ou de francês na sua quinta em Nogueiró. Mas depois veio o divórcio, a minha bisavô voltou ao Brasil com metade da sua fortuna e a crise de 1929 fez grave mossa nos seus investimentos. Morreu quase na penúria.

Quanto ao convívio em si, é salutar ver a família unida e em homenagem aos seus anciãos, bem em contraste com tempos não muito distantes de afastamento e discórdia. Faço votos para que momentos destes se repitam por muitos e longos anos, apesar de eu ser individualista quanto baste na minha postura, acção e ideias, mas sempre com respeito pela família a que pertenço.