Pais, padrinhos, tios e primos meus decidiram ontem organizar um jantar comemorativo dos 95 anos da minha tia-avó Rosalina. Para não variar, estava ocupado, pelo que só pude aparecer pelas 23.30h.
Apesar da hora, a "tia Lina" mostrou uma jovialidade e memória invulgares para alguém da sua idade. Por aquilo que me contaram, a minha prima Ana fez uma restrospectiva das nossas experiências em criança com esta dedicada tia, que já ajudou a criar várias gerações. Recordo-me perfeitamente da Tia Lina, ainda septuagenária, me levar, quase a correr(!), do Colégio Paulo VI para a paragem no topo direito da Av. Liberdade, junto à sapataria Beleza. Tudo isto se passou em meados da década de 80, quando nos mudamos da Rua 25 de Abril para a actual. Só há menos de 10 anos a Tia Lina deixou de dar a sua volta diária pela cidade...
A sua lucidez continua lá, por vezes com algumas quebras de memória em factos mais recentes. Quanto aos factos mais antigos, aproveitamos para rever fotos centenárias de seus pais (meus bisavós) nos seus tempos do Rio de Janeiro, Porto e Braga. Por vezes esqueço-me que tive um bisavô "rico", originário de Braga, mas que fez fortuna no Rio de Janeiro com cadeias de restaurantes e ilhas de prédios de habitação. Foi das primeiras pessoas a ter automóvel em Braga, e à minha tia-avó, avó paterna e seus irmãos não faltaram professoras de música ou de francês na sua quinta em Nogueiró. Mas depois veio o divórcio, a minha bisavô voltou ao Brasil com metade da sua fortuna e a crise de 1929 fez grave mossa nos seus investimentos. Morreu quase na penúria.
Quanto ao convívio em si, é salutar ver a família unida e em homenagem aos seus anciãos, bem em contraste com tempos não muito distantes de afastamento e discórdia. Faço votos para que momentos destes se repitam por muitos e longos anos, apesar de eu ser individualista quanto baste na minha postura, acção e ideias, mas sempre com respeito pela família a que pertenço.
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