
Hoje de manhã assistimos em Braga a uma manifestação genuína de participação cívica em prol do nosso ambiente e património. A "Marcha das Sete Fontes", organizada pela Junta de Freguesia de S. Victor, ASPA e Jovem Cooperante Natureza/Cultura visou alertar a opinião pública e o poder político (Ricardo Rio, p. ex. esteve presente) para o risco que aquele complexo monumental, classificado como Monumento Nacional, corre, na sequência da futura variante que por ali passará, bem como das obras do novo hospital, já em curso.
Tudo começou pouco passava das 9:30h com a concentração dos participantes, estimados em quatro centenas, no largo da Senhora-a-Branca, e os discursos de Firmino Marques (Junta S. Victor), Miguel Bandeira (ASPA) e do nosso coordenador-geral Ricardo Silva (Jovem Coop).
Nunca pensei ver tanta gente (de todos os estratos sociais e idades!) a um domingo de manhã interessada em manifestar-se a favor de um complexo aquífero, coevo do aqueduto das Águas Livres de Lisboa (séc. XVIII), seguindo ordeiramente até uma das mães de água, local onde terminou a marcha, não sem antes assistir a novos discursos de sensibilização dos três citados responsáveis das instituições envolvidas.
Houve tempo para lembrar Luciano Vilas Boas, o arqueólogo que foi despedido porque "ousou" efectuar o seu trabalho contra os interesses da classe do "betão". Este é dos dos pontos que mais me revolta em Portugal. A ligeireza com que se trata a natureza ou o património, que são algo legado pelos nossos antepassados à nossa geração, é sintomática da podridão moral a que chegamos. Cumpre-nos perpetuar esse legado às gerações vindouras! Devemos usufruir e não destruir sistematicamente aquilo que só é nosso transitoriamente. Geralmente há alternativas à pura destruição, haja vontade política... ou exposição mediática para tal!
Para terminar, nada como provar a água que ali brota, que mais que potável é uma água de qualidade como as análises regulares indicam.
(Vide http://pt.wikipedia.org/wiki/Sete_Fontes_de_S._Victor para melhor conhecimento acerca do complexo monumental em si.)
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