segunda-feira, 24 de novembro de 2008

O conhecimento na Europa


Hoje comemora-se o Dia Nacional da Cultura Científica. A esse respeito, mas alargando o âmbito territorial à U.E. e interligando com post's anteriores onde falei da formação como factor-chave do desenvolvimento, gostaria de destacar dois acontecimentos recentes:



A Europeana (http://www.europeana.eu/), que abriu no passado dia 20 (apesar de ter de encerrar provisoriamente devido ao excesso de procura em relação ao estimado), é um repositório da nossa cultura europeia. É um arquivo digital de livros, filmes, jornais, sons e arquivos das grandes colecções da Europa, que é disponibilizado num só sítio e nas línguas de todos os estados-membros.

"Com a Europeana, conciliamos a vantagem competitiva da Europa em matéria de tecnologias da comunicação e de redes com a riqueza do nosso património cultural. Os europeus poderão agora aceder com rapidez e facilidade, num único espaço, aos formidáveis recursos das nossas grandes colecções", comentou o presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso.



Destaco também a realização do evento "Os Jovens na Sociedade do Conhecimento", promovido pela presidência francesa da U.E. e realizado entre 20 e 27 de Outubro em França, que reuniu 15 jovens de cada país com o objectivo de apresentarem as suas conclusões sobre este tema à Comissão Europeia. A parceira portuguesa do evento foi a "Ciência Viva" (Agência Nacional para a Cultura Científica e Tecnológica) e levou 15 jovens a França com base em critérios de representatividade geográfica e de interesses. É importante analisar as suas recomendações.

domingo, 23 de novembro de 2008

Mais Jazz no Tapete, agora em Oliveira de Frades


Ontem foi a vez de Oliveira de Frades receber este quarteto, neste caso no Cine-Teatro Dr. Morgado. Bom espaço e boa acústica, pelo menos, para o público...

Mais uma oportunidade de rever a Filipa a cantar levou-me de imediato a fazer 400 km após um dia de trabalho. Aquela voz tem qualquer coisa de especial e quem corre por gosto não cansa...

No final ainda houve tempo para convívio com os músicos num bar local, sendo de notar o bom espírito reinante e a preocupação com o perfeccionismo de execução.

Para finalizar, a somar ao My Space, podemos ver agora o seu próprio sítio na Web.

terça-feira, 18 de novembro de 2008

O meu primeiro carro...


O meu primeiro carro foi, e é, porque ainda existe, um FIAT 127 de 1976, exactamente igual ao da foto.

Aprendi a conduzir nele com 13/14 anos, começando aí uma ligação que perdura até hoje com a minha "bella macchina". Por essa altura, os meus pais, que o tinham adquirido usado no início dos anos 80, ficaram com o "velhinho" só para as voltas de cidade, já que estavam a necessitar de um segundo carro mais moderno. Entretanto, devido à avançada idade e algum desleixo o pobre FIAT encontrava-se uns anos mais tarde, em 1997, a precisar de um restauro completo...

Foi preciso ser muito persuasivo para convencer os meus pais, em particular a minha mãe que o usava mais, que era impensável comprar outro carro porque eu queria ter aquele para sempre...
Restaurar "aquilo"? Com 20 anos? Investir centenas de contos num carro sem valor comercial, que nem era recente, nem "clássico"? Porque não investir todo esse dinheiro e comprar um carro bem mais actual? Pois, comigo essa lógica não funcionou e acabei por levar a minha ideia adiante!

De finais de 97 até inícios de 99 o carro foi desmantelado, refeita a mecânica, interiores, chaparia e terminando com a sua nova pintura azul escura "brilhante", já que a anterior pintura era azul escura só... Apesar de não ter sido propriamente um "restauro", já que este exigiria outro nível de investimento, o carro foi salvo e ficou num estado bem melhor!

A partir dessa altura lá ia eu para a faculdade ou, um ano mais tarde, para o emprego, todo contente por, ao contrário da maioria dos mortais, estar plenamente satisfeito com o automóvel que possuía!

Fomos companheiros inseparáveis de viagens, "arranques de semáforos" e "estradas sinuosas", já que o pequeno FIAT tem um apetite fora do vulgar por altas rotações, apesar de ter 90% do binário disponível logo às 2000 r.p.m., que o torna agradável de conduzir em baixas rotações também. A juntar a este motor (903 c.c. c/47CV) temos um chassis bastante equilibrado ( c/suspensão independente às 4 rodas e 705Kg de peso), uma caixa de velocidades com 1ª e 2ª bem curtas (a privilegiar a aceleração) e 3ª e 4ª relativamente longas (a ajudar no consumo), travões potentes (apesar de não assistidos, têm repartidor frente-trás, consoante a carga do veículo!) e uma direcção que "lê" muito bem a estrada (e, no meu caso, um belo volante de 3 braços em alumínio forrado a pele para a movermos!). Foi o carro mais seguro que conduzi à chuva, em parte devido aos excelentes pneus Yokohama 135/13.

Considero-o um dos últimos "carros a sério", antes da invasão maciça dos plásticos e partes eléctricas dos anos 80 que se apoderaram do mundo automóvel, para nosso conforto e eficiência, mas em claro prejuízo de um feeling autêntico...

Continuo a gostar de muitos pormenores do carro, a começar no estilo dois volumes e meio, pouco habitual em utilitários na actualidade, e dos interiores lindíssimos, de estética decalcada de um Ferrari da época!


Mas, apesar de ser um carro extremamente económico em consumos e manutenção, acabei por admitir quase dois anos depois que há carros baratos cujos parâmetros de conforto e tecnologia estão uns furos acima... e lá comprei outro FIAT bem barato e com menos 15 anos!

O velhinho 127 foi "encostando", sendo que hoje o tenho parado há alguns anos, apesar do estado geral ser ainda ser bastante bom. Vários motivos contribuiram para isso, nomeadamente os meus rendimentos da época não serem os dos últimos anos e o facto de haver algumas situações que não ficaram devidamente resolvidas aquando do primeiro "semi-restauro".

Apesar disso, já por diversas vezes este carro, outrora vulgar, foi cobiçado pelo interesse que hoje desperta não só nos saudosistas, como também nos jovens que se divertem com a simplicidade e prazer de condução de um automóvel destes. A todos aqueles que cobiçam o meu, esqueçam, não está à venda!


Ontem, enquanto levava o meu "moderno" Hyundai a uma revisão geral com vista à inspecção que se aproxima, reparei que o meu mecânico, curiosamente perito em clássicos italianos, lá tinha desmontados um Lancia Fulvia HF, um FIAT 124 Sport Spider e um Lancia Delta Integrale, todos em restauro... A vontade de ver ali o meu 127, novamente em reparação e, porque não, em preparação para novos vôos foi muito grande...


Conto em 2009 voltar a restaurar o carro, desta vez de forma mais exaustiva e aproveitando para lhe dar um look "Abarth" de época e vitaminar com mais uma dúzia de cavalos o motor...

Apenas receio, muito sinceramente, começar a deixar o Hyundai na garagem e voltar a ter um sorriso estampado na cara só pelo simples facto de conduzir um automóvel, aliás, o meu eterno FIAT 127!


Vejam os links, especialmente este espectacular video no YouTube:

http://br.youtube.com/watch?v=I8EVOuCzYmQ&feature=related

http://en.wikipedia.org/wiki/Fiat_127 (sobre o modelo em si, em inglês)

...e termino com um link ao sítio do Clube Fiat de Portugal, no qual sou o sócio 107, como podem ver na lista (http://www.clubefiat.pt/)

sábado, 15 de novembro de 2008

A estupidificação da Humanidade




Este é o título da crónica de hoje de José António Saraiva, publicada na revista Tabu, parte integrante do semanário SOL, que este autor dirige.

Habituei-me a ler, quase religiosamente, o SOL, em particular as crónicas de foro político que JAS escreve. É directo, claro e traduz pontos de vista originais que obtêm quase sempre confirmação real, daí o seu valor como analista político. A sua crónica "Política a Sério" mais não é que a descendente da rubrica "Política à Portuguesa" que foi publicada anos a fio no Expresso, jornal que JAS dirigiu mais de 20 anos. Aliás, a actual equipa dirigente do SOL transitou do Expresso, o que ajuda a perceber que a qualidade de peças jornalísticas e colaboradores deste semanário emana de muita competência apoiada em anos de experiência.

Este semanário conjuga muito bem a investigação e opinião essencialmente em política e economia. É também uma excelente síntese dos mais relevantes acontecimentos da semana.

Mas este post trata de uma crónica semanal que JAS faz num registo mais pessoal denominada "Viver para contar". Aqui vemos um JAS com reflexões sobre temas muito variados, sempre interligadas com as suas próprias experiências. Vamos, deste modo, conhecendo melhor um homem que, como esta crónica refere, gosta de "pensar a realidade circundante", em sintonia com o que escrevi sobre mim próprio no primeiro post deste blogue.

Leiam este pensamento em que o "homo cogitans" se transforma em consumidor de pensamentos alheios, contribuindo para a estupidificação da Humanidade...

http://sol.sapo.pt/blogs/jas/archive/2008/11/15/A-estupidifica_E700E300_o-da-Humanidade.aspx#comments

terça-feira, 11 de novembro de 2008

Pura perda de tempo...


Pouco passava das 10:15h da manhã, chego ao Tribunal Judicial de Barcelos. Objectivo: servir de testemunha arrolada pela tmn numa pequena injunção em que a tmn era a autora e um determinado indivíduo o réu.

Agora pergunto eu: por que motivo fui eu? Apenas trabalho para um reconhecido agente tmn, nada mais... Ainda para mais o meu "contacto" com o tal indivíduo foi um contrato que apenas enviei por fax em 2006, nem sequer era material comprado à TLCI2! Facturas em aberto? Indemnização por incumprimento contratual? Deficiente cobertura de rede? Tudo me ultrapassa neste caso!

Claro que podia atestar que o cliente em questão foi informado do vínculo de permanência associado ao serviço contratado, não que me lembre da situação em concreto, mas porque posso garantir que isso acontece sempre! Nada mais...

Tudo acabou, para não variar nestes casos, num acordo entre as partes, ou seja, pura perda de tempo para mim...



PS - Nesta associação TT (Tribunal+tmn) lembrei-me de uma história engraçada que se passou em Felgueiras nas últimas autárquicas. Quis o destino que na sexta-feira anterior à ida às urnas eu estivesse nessa terra, numa loja que lá temos. Não querendo muito agitar as águas, fui sondando a opinião dos conterrâneos sobre a edil local... Perante tamanho apoio, só me restou perguntar a mim mesmo: onde andará o saco azul? E de imediato respondi eu: aqui! Afinal era eu que o tinha! Mas era um recém-criado (em SET 2005 a tmn muda para a imagem actual) saco azul de cartão, da tmn! Ainda hoje tenho a auto-foto a apontar para ele!

Pela recente decisão judicial, afinal havia outro...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Flauta de Hamelin - Oficina de Artes


O Correio do Minho publicou ontem uma pequena entrevista com o meu tio Manuel Beleza e o relançamento que está a fazer da "Flauta de Hamelin", agora mais que uma escola de música, uma oficina consagrada ao ensino e divulgação de "Artes, Culturas e Tradições" como se lê no respectivo sítio. ( vide http://www.flautadehamelin.net/ )

Lembro-me perfeitamente da escola estar em construção, do cuidado posto no isolamento acústico das salas, dos vários instrumentos adquiridos e da sua abertura, em 1993...

Lembro-me também de uma série de eventos promovidos pela Flauta de Hamelin, a começar no "Rock in Bracara", no Teatro Circo, já no longínquo ano de 1994 (ainda hoje tenho esse CD!)

Recordo-me de o meu tio convidar uma série de amigos, alguns bem conhecidos do público, como Pedro Abrunhosa ou Rui Veloso, para Workshops no auditório...

Recordo-me também de o ver tocar no piano "Petrof" de 1/4 de cauda que a escola tem, e de, por vezes, o ajudar a afiná-lo...

Também me vem à memória ver o meu tio a tocar órgão Hammond, do XB-2 ao XK-2, e depois o Korg CX-3...

Enfim, o espaço já tem história! Faço votos de que, com a oferta artística ampliada, a Flauta de Hamelin venha a dar aos nossos jovens a oportunidade de se engrandecerem como pessoas, contribuindo para dinamizar a vida cultural de Braga!


Sobre Manuel Beleza, considerado o melhor organista jazz e um dos grandes pianistas jazz de Portugal, gostava de deixar este link para o seu My Space:

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

AC Milan - Sp. Braga

Este foi o jogo de futebol que mais apreciei nos últimos tempos. Foi um misto de garra, rigor táctico, velocidade e algumas jogadas individuais de realce. Podemos mesmo dizer que este SC Braga "europeu" demonstrou não ter medo de ninguém, jogando em San Siro a seu bel-prazer, estando por diversas vezes perto da vitória (bem mais que o AC Milan...) e perdendo o jogo nos últimos 30 segundos devido a um momento de inspiração (e deve ter "inspirado" muito para fazer um remate daqueles!) de um senhor chamado Ronaldinho.

O Braga caíu em Milão, mas de cabeça levantada! Com este resultado fica em 3º no grupo E, sendo que já jogou com as duas equipas mais difíceis...

Continua a ser o melhor representante de Portugal lá fora e vai ganhando o respeito das outras equipas e seus adeptos, como podemos confirmar infra.

(Vide http://www.gazzetta.it/community/Calcio/SerieA/Squadre/Milan/Primo_Piano/2008/11/06/milansporting_full.shtml )

Força Guerreiros!

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Jazz no Tapete, agora no My Space

Para quem quiser ouvir uma amostra do seu potencial, sugiro uma visita ao recém-criado perfil do grupo no My Space:

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=426419239

Para uma formação ainda recente, o qualidade é de salientar, pelo que o tempo irá certamente amadurecer este projecto...


Para quem, como eu, gosta da vocalista em particular, aqui fica mais um link, num registo completamente diferente:

http://profile.myspace.com/index.cfm?fuseaction=user.viewprofile&friendid=419034970


Espero que gostem!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Formação II

Antes da nossa formação profissional vem a nossa formação académica, e, a par desta, a nossa formação cívica, moral, filosófica, religiosa... ou a ausência delas, pelo menos em certo grau!

Tradicionalmente, a formação académica visa transmitir conhecimentos considerados importantes pela nossa civilização e resulta do nosso percurso em instituições de ensino, se bem que, a partir de certo ponto, a nossa emancipação intelectual nos permite "soltar as amarras" no campo académico e sermos nós próprios a navegar no imenso "mar do conhecimento". Exemplo máximo disso são todos aqueles que estão habilitados com o grau de doutoramento (e posteriores). Nesses casos, a sua investigação pessoal permitiu ver mais além numa determinada área, contribuindo para o avanço científico dessa área do saber.

Voltando ao nosso pequenino e pobre mundo lusitano, a deficiente formação em geral é um dos principais cancros sociais. Neste momento, talvez o principal. Victor Hugo dizia, e o saudoso Prof. António Freire corroborava, que o futuro da humanidade estava nos professores primários. Como diz o ditado, é de pequenino que se torce o pepino, pelo que é bom começar a construír a nossa personalidade e o nosso edifício do saber com bons alicerces para que um dia possamos pensar livremente pela nossa cabeça... (mesmo que não sejamos doutores)

Aproveito para dizer que sempre achei curioso tratarmos profs. primários e profs. universitários por "Professor", ao invés do simples "Sr. Dr." do secundário. Claro que isto também se prende com os graus de habilitações respectivos, sendo que licenciados, praticamente só eram os do secundário. Os do básico estudavam no Magistério, e os universitários tendiam a ser doutorados. Mas fica sempre implícita uma ideia de quem, por motivos diferentes, tem um papel fulcral no ensino.

Apesar de ser inteiramente leigo na matéria, convivo com professores de vários graus que gostam do que fazem. No meu modesto entender, mas também na visão destes, a educação pressupõe assimilação de conteúdos que é testada no momento da avaliação. Facilitar a avaliação leva à não aprendizagem e, em última instância, à perpetuação das baixas competências, relacionáveis directamente com a baixa produtividade da mão de obra nacional. Ora, como se sabe, baixa produtividade é sinónimo de pouca competitividade neste mundo global, que, por sua vez, leva a pouca geração de riqueza. (quer seja por não atrair investimento que se desloca para países de mão de obra igualmente barata mas mais instruída e produtiva, quer seja pela não optimização da força de trabalho das empresas existentes).

Paralelamente, e voltando ao início deste texto, acredito que a formação cívica e moral de um povo influencia directamente a qualidade da sua participação social e política, contribuindo também desse modo para um melhor futuro conjunto. A educação e formação de uma pessoa não devem ser meramente técnicas.

Hoje, assistimos a um fenómeno não verificável até alguns anos atrás, que prova que o ensino tem muitas debilidades e também que a nossa moral mudou muito. Como é possível um licenciado em ciências sociais não dominar o português? Ou, alguém da área das ciências naturais não saber matemática? Ou um magistrado judicial aplicar a "lei positiva" quase como um computador, de forma mecânica, sem o necessário espírito crítico e conhecimento profundo da natureza humana? Outrora, era impensável alguém habilitado com uma licenciatura cometer um erro ortográfico... Preciosismo meu, dirão alguns! Além de ser grave em si o facto de um português não dominar basicamente a sua própria língua, possivelmente estarão escondidas outras lacunas em disciplinas bem menos conhecidas...

Este tema é demasiado vasto e importante para ficarmos por aqui, pelo que voltaremos a ele.

Alguns artigos recentes que li tocam, sob várias perspectivas, neste assunto:

"O Milagre" - Artigo de opinião de António Barreto, editado pelo Público de 02/11/08, que se interroga sobre a súbita melhoria geral de classificações no espaço de um ano... ("limpar o lixo para debaixo do tapete" é bonito nas estatísticas, mas compromete o futuro...)

"Falta-lhes Filosofia, meus senhores!" - Comentário de Carlos Morais, publicado pelo Diário do Minho de 01/11/08, à falta de "formação integral" dos actores do sistema judicial (toca na impreparação dos juristas nos aspectos "parajurídicos" da suas actividades judiciais)

http://dn.sapo.pt/2008/11/02/opiniao/dias_contados.html - Texto bastante irónico de Alberto Gonçalves. Confusões conceptuais, facilitismo e ainda mais...