domingo, 20 de julho de 2008

Europa unida?


Claro que sim, pelo menos no meu plano pessoal!

No passado dia 17 de Julho tive o privilégio de me reunir com duas amigas que decidiram voltar à cidade e ao país onde serviram como voluntárias.

A Chara (grega) e a Elena (alemã) estiveram em Braga em 2005 ao abrigo do Serviço Voluntário Europeu, especialmente a prestar apoio a famílias carenciadas da região.


Charis significa em grego alegria, pelo que o nome está perfeitamente ajustado à pessoa. Por outro lado, a raíz etimológica de Elena relaciona-a com... os gregos, o que pode explicar a sua amizade com a Chara. Além destas curiosidades, há uma notável coincidência. A Chara é 365 dias mais nova que eu, ou seja, festejamos o aniversário no mesmo dia!

Como minhas simpáticas clientes e, dado o meu gosto por pessoas verdadeiramente interessantes, fomos falando e saíndo algumas vezes, estabelecendo-se assim laços de amizade que perduraram até hoje...

Em Agosto de 2005 tiveram de voltar aos respectivos países, mas logo em Setembro de 2006 tive a oportunidade de visitar a Chara na sua cidade natal, Salónica, aproveitando para conhecer a capital da região da Macedónia grega, que viu nascer ali bem perto Alexandre Magno e conserva ainda hoje importantes vestígios romanos, bizantinos e inclusivamente venezianos, lembrando-me eu logo que foram os portugueses, com as suas viagens circum-navegando África, a arruinar-lhes o comércio com o Oriente... Mas essa memorável viagem por terras helénicas ficará para outro post...

Aproveitando o facto de a Elena estar em Erasmus em Valência, a Chara deslocou-se à península onde iria revisitar o seu amado Portugal, com particular destaque para o Mosteiro dos Jerónimos e a zona de Belém, como também veio a Braga, cidade onde viveu esse voluntariado.

Chegaram a Braga pouco passava do meio-dia, bem carregadas com enormes malas. Fui à central de camionagem buscá-las e seguimos para a Arcada, a conhecida sala de estar da cidade.
Aí tivemos oportunidade para tirar algumas fotos junto ao chafariz, ver algumas barraquinhas de artesanato, e seguimos até uma conhecida pastelaria junto ao Jardim de Sta. Bárbara. (deviam ver a cara de satisfação delas ao contemplar a doçaria presente...)

Aproveitamos a ocasião para trocar impressões sobre a cidade e as poucas mudanças que tinham ocorrido desde a última vez que a viram. Alargamos a nossa conversa à situação política e social de cada um dos nossos países, verificando eu, pela boca de uma alemã, que o fosso social também se agrava bastante na maior economia europeia. No plano universitário, por exemplo, a Grécia e o seu ensino gratuito, como contava a Chara, batem Portugal e Alemanha, onde cada vez se pagam mais propinas, sendo a Alemanha consideravelmente mais rica embora também esteja em trajectória descendente na montanha do desenvolvimento... Pelo que a Chara me conta e pelo que vi na Grécia, as médias salariais são consideralvemente mais elevadas que em Portugal, continuando alguns bens e serviços a deter preços bem menores que cá (ex: as portagens e gasolina são muito mais caras em Portugal, algo que nos deve fazer reflectir...)

Mas como nem tudo é caro por estas bandas e as mulheres ligam muito bem com compras (Ok, nem todas!), fizemos um périplo "comercial" pelo centro histórico e pelo Braga Parque que resultou em dois grandes sacos cheios de roupa...

Decidimos combinar com a minha irmã e fomos "cear" (pela hora) ao Porto. Paramos na baixa e decidimos passear pelo Coliseu, cruzando Sta. Catarina, seguindo até à magnífica Av. dos Aliados, subindo sempre até à Torre dos Clérigos. Aproveitamos para tirar esta foto junto ao incansável ardina que se aguenta dia e noite de pé sem se queixar! Um exemplo para muita gente!

Seguimos de carro sempre junto ao rio até à foz. Então a Chara lembrou-se que o Porto tinha uma engraçada escultura em que o leão está em cima da águia... Clubismos à parte, até porque as nossas convidadas não são de cá e a cidade tem um imponente dragão a representá-la, passamos na rotunda da Boavista e voltamos para Braga, pois o relógio não perdoa.

Dia seguinte lá fomos para o aeroporto com a promessa de um encontro... talvez para os lados de Estugarda na próxima vez!

terça-feira, 8 de julho de 2008

The return of the space cowboy!




Depois de uma prolongada ausência que se prende com vários motivos, nomeadamente distracções constantes com outros assuntos e uma boa dose de preguiça em escrever, estou de volta ao meu blogue pessoal!

No passado 5 de Julho, um belo sábado em que tive a sorte de não estar a trabalhar, deparei-me com seguinte dilema: Ver o dueto Manuel Beleza/Mário Santos aqui no Alla Scala em Braga, ou ir ao Porto ver Brand New Heavies, Morcheeba ou Jamiroquai no segundo dia do festival Super Bock, Super Rock...

Para um fã do soul, funk, acid-jazz, R&B, blues, jazz, etc. como eu, a escolha não se afigurou nada fácil...

De um lado tinha dois expoentes do respectivo instrumento em Portugal. Manuel Beleza (meu tio), no órgão Hammond e Mário Santos, no saxofone tenor. Do outro, grandes bandas inglesas, se bem que em fase descendente da carreira...

Optei pelos segundos e... não me arrependi nem por um segundo!

Chegamos bem cedo ao recinto, pouco passaria das 18.00h, estacionamos e dirigimo-nos para a bilheteira. Fomos surpreendidos por alguns jovens que não estavam interessados naquele dia do Festival e nos vendiam os bilhetes. Pensando bem, optamos por lhes comprar, é sempre dinheiro que evitam desperdiçar...

O curioso foi que um era um convite para os dois dias e o outro era apenas um bilhete diário. Fiquei com este, mas logo me apercebi das suas limitações...

Dirigimo-nos à bilheteira e o Carlos trocou o convite por uma pulseira que lhe dava o direito de entrar e saír no recinto a seu bel prazer e o meu... nada! Assim não podia ser! Felizmente fomos ter novamente com os tais jovens que tinham mais convites e lá troquei o bilhete diário pelo convite de dois dias!

Entramos e começamos logo a fazer jus ao nome do Festival. Toca a beber Super Bock!

Na hora de intervalo que decorreu entre a nossa chegada e a actuação do primeiro grupo, ainda tivemos tempo de tirar umas fotos com o Sapo junto à sala dos espelhos, ver a animação envolvente (concursos do Sapo, corridas, rappel e slide da CP, etc) bem como ter uma perspectiva mais elevada do Parque da Cidade através da roda gigante lá instalada (quem me conhece, sabe que não resisto a divertimentos e locais altos tipo torres, arranha-céus, etc.)

Confesso que nunca tinha pensado em ver Brand New Heavies ao vivo. Não é aquele grupo de eleição, como foram os Incognito para mim, mas são bons músicos, têm boas composições e uma potentíssima vocalista (N'Dea Davenport). Ainda para mais tive a oportunidade de ver a sua formação original que, apesar de fazer a abertura do festival, não perdeu a ocasião para mostrar que está bem em forma, tocando aqueles clássicos dos anos 90 que mais me tocam...

Seguiam-se os Clã, mas a fome já apertava... Decidimos então, continuando o espírito do recente S. João, atacar o pão com chouriço e... mais algumas Super Bock!

Fomos circulando pelo recinto até junto do poderoso camião que era o stand da tmn e decidimos alargar o passeio...

Atravessamos o início da circunvalação e seguimos em direcção àqueles prédios bem junto da rotunda que ostenta a gigantesca rede em homenagem aos pescadores e acabamos por entrar num bar com bastante bom aspecto. Estando no Porto, a ementa teria de passar por uma francesinha, aliás, bem apreciada por nós os dois! A menina que nos atendeu referiu que era apenas bar, não dispunham de comida. Agradecemos e saímos à procura da tal francesinha especial...

Entretanto, uns metros ao lado, encontramos um tal "restaurante Pérsia". Será que no Irão também sabem fazer francesinhas?? Bem, sempre estávamos no Porto...

Lá pedimos a francesinha e, para não destoar, mais Super Bock! Pelo tempo de espera, possívelmente percepcionado de forma ainda mais lenta em virtude da quantidade de Super Bock no sangue, a francesinha deve ter sido importada do Irão! Mais, foi apenas a pior francesinha que comi até hoje, reforçando a tese que só pode mesmo ter vindo do Irão! A simpatia do funcionário, também essa inflacionada pela nossa percepção alcoólica, foi o único ponto positivo a destacar, mas, como não comemos simpatia, aquele restaurante está riscado do mapa...

Voltamos ao recinto, e, pouco tempo depois de lá estarmos, surgem inesperadamente os Jamiroquai em palco! Que estranho, ver J. Kay e Cª ao vivo e tão próximos! Outra banda de culto dos meus tempos de adolescente, principalmente através dos fantásticos três primeiros albuns até 1996. (fim da era Stuart Zender no baixo).

J. Kay apresentou-se anormalmente pouco activo, com um fato de treino e um gorro (onde param os famosos chapéus que o celebrizaram?) e um aspecto um tanto ou quanto de junkie...

Notou-se mesmo que foi ali cumprir calendário, não entusiasmou pela sua performance, mas sim pelo velho repertório apresentado que fez todos nós vibrarmos de alegria!

De Cosmic Girl a Deeper Underground ainda houve tempo para uma das minhas favoritas: The return of the space cowboy!

O pisca


Está na moda quase ninguém sinalizar as mudanças de direcção usando o pisca. A moda não é de agora, mas está de tal forma massificada que merece preocupação.

Por que motivo os condutores não usam o pisca? Bem, sem dar pisca o carro vira na mesma, talvez se o volante só virasse após a sinalização da manobra, talvez as pessoas se lembrassem dele...

Creio que este simples facto traduz a consideração que os condutores têm uns pelos outros, ou seja, muito pouca! A estrada é uma selva em que cada macaco (ou macaca) se tenta safar, servindo o automóvel para autênticas transfigurações de personalidade (ex: a agressividade aumenta exponencialmente...) além das pseudo-demonstrações imbecis de status...

Como pela via da educação a coisa não parece ir lá, as zelosas forças policiais deverão privilegiar, também neste campo, a conhecida "caça à multa", pois isto representa uma infracção ao Código da Estrada.
Para este Estado ávido de receita, sempre será uma fonte de receita fácil...