quarta-feira, 22 de outubro de 2008

Pobreza e desigualdade nos países da OCDE


O relatório "Crescimento e Desigualdades" confirma Portugal no pelotão traseiro da desigualdade social baseada em rendimentos. De facto, Portugal, tal como os EUA, ocupam uma má posição, só ultrapassada pela Turquia e México. (se bem que este último tem reduzido a desigualdade)

Obviamente que os governos nacionais têm responsabilidade neste ranking (até pela velocidade com que caem no caso português, contribuindo para a instabilidade política, um dos grandes factores para o fraco desempenho económico-social do país, comparativamente à Espanha, no período pós-dictactorial), mas ter um lugar a par da potência hegemónica (EUA) significa mais. Aliás, independentemente dos vários lugares nesta tabela, a tendência de 3/4 dos 30 países da OCDE (boa parte do mundo "ocidental") nas últimas décadas é para agravar o fosso entre ricos e pobres.

Talvez isto se prenda com o facto de que a massificação do desenvolvimento à escala planetária (talvez com excepção de boa parte do continente africano) tenha consequências no desenvolvimento económico-social dos tradicionais países "ricos". Num raciocínio simplista, estes países (BRIC's, por exemplo) produzem muito mais agora do que no passado não muito remoto, e boa parte dessa produção destina-se à exportação para membros da OCDE. Nesses países o cidadão médio melhora a sua vida. (vide http://www.mwglobal.org/ipsbrasil.net/nota.php?idnews=2420 )

Voltando aos países da OCDE, devemos reflectir porque motivo os riscos de pobreza se mudaram das faixas etárias mais velhas da população para as mais novas... Todos sabemos que a geração dos nossos pais e avós teve, em boa parte destes países, empregos estáveis que lhes proporcionaram boas reformas. A isso não foram indiferentes as grandes taxas de crescimento económico do pós-guerra, que já não se verificam há muito no ocidente... E agora? Que produzir neste mundo global? Sem crescimento económico não se gera emprego... A resposta está cada vez mais na Formação dos profissionais e na Inovação nas empresas.

No caso português, indústrias como a do sector têxtil estavam condenadas há muito tempo... Por outro lado, há excelentes exemplos, se bem que poucos, de empresas que "vivem" na actual economia do conhecimento (a bracarense Mobicomp, por exemplo, foi a primeira aquisição da Microsoft em Portugal). Só dessa forma Portugal e os restantes membros da OCDE poderão aumentar o seu desenvolvimento económico e gerar o consequente emprego (de qualidade...) para a sua população activa, que é quase sempre garante de não pobreza.

Claro que há aqui muitas questões laterais como a sustentabilidade ambiental de um desenvolvimento global, a capacidade dos governos e povos de se adaptarem às novas exigências das TIC, como combater o envelhecimento da população, etc, etc...


Vejam o resumo do relatório e tirem as suas conclusões...

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