sábado, 13 de setembro de 2008

Voar...


Talvez por ser o mês da Red Bull Air Race ou por ir de férias mais uma vez, lembrei-me de escrever este post. Voar é para mim um prazer, uma emoção, uma sensação divertida! É, como definia um dos pilotos da afamada corrida, liberdade de acção nos vários eixos, já que, "lá em cima", não há estradas e o piloto faz literalmente o que quer, dentro dos limites do aparelho e de si próprio.


Comecei a voar bem novo, tendo feito o meu "baptismo do ar" no início da década de 80 num Morane Saunier Rallye Minerva (igual ao da foto), pilotado pelo meu pai e pelo proprietário à data. Apesar de ser uma criança na altura, tenho ideia de ter puxado por completo a manete da mistura, empobrecendo-a a tal ponto que o motor começou a falhar.... As traquinices começaram cedo... (clarificando, um monomotor do género dispõe geralmente de 3 manetes mais destacadas no painel: pressão de admissão, passo variável e mistura, que controlam respectivamente a quantidade de mistura admitida, a inclinação das pás do hélice e a proporção ar/gasolina da mistura admitida)


No restante dessa década, só voltei a voar num magnífico aparelho, talvez o mais pequeno, leve e manobrável em que voei até hoje: o Neiva Paulistinha 56 C1, um pequeno "asa alta" de fabrico brasileiro, semelhante ao Piper Cub J3, oferecido pelo governo brasileiro em 1963 e que ainda hoje podemos ver por vezes sobre a cidade...



Nos anos 90, seguiram-se bastantes vôos noutros aviões do Aero Club de Braga, nomeadamente em Cessnas, com particular destaque para o "Reims Rocket", um belo 172 de 6 cilindros horizontalmente opostos, ingloriamente destruído num acidente sem vítimas, no ano passado, junto ao santuário do Sameiro.


As minhas experiências aeronáuticas passaram também pelos "civilizados" Dornier Do-27 e De Havilland DHC-1 "Chipmunk", ambos ex-Força Aérea Portuguesa e também pelo mundo dos helicópteros, tendo voado no polaco MI-2, muito usado pelo bloco de leste na guerra fria e o americano Bell 204/205, característico da guerra do Vietname.


Mais recentemente, em 2006, experimentei mais um tipo de aeronave, o balão, que nos proporcionou uma espectacular vista nocturna de Joanesburgo a partir da zona do "Monte Casino", numa inesquecível viagem à África do Sul a relatar noutro post...


Já nesta década, comecei a utilizar com alguma regularidade os habituais "autocarros do ar", como por vezes chamo aos aviões comerciais, que não transmitem, nem de longe, nem de perto, a emoção de fazer um "stall turn" ou um "oito lento" num pequeno avião... mas a ideia também não é essa!


Que me lembre, desde o mais pequeno CRJ-900 da Bombardier até ao enorme A-340 da Airbus, passando pelos Boeing 737-200 e 737-800, como pelos Airbus A-319 e A-320, estes aviões sempre me transmitiram a ideia que me desloco num autocarro ou num comboio, dada a tranquilidade e total conforto do espaço. Apesar do medo que já vi em algumas pessoas só pelo facto da terra "estar lá em baixo", estatisticamente, o transporte aéreo é dos mais seguros. Acho que, se tivessem sido habituados a brincar no ar desde tenra idade, talvez esse medo de voar num grande avião passasse a... tédio!


Mais do que ter o sonho de voar num determinado tipo de avião, gostaria de voar mais vezes pela região em pequenos aviões, como quando era miúdo. Presentemente é raro voar nestas máquinas, já que o "brevet" e sua manutenção não são propriamente baratos e o meu pai, que também já não é propriamente um jovem, já deixou a vida "activa" de piloto particular e instrutor.


Restam-me as viagens para "matar o vício", muitas vezes nas "low cost" para não "matar a carteira"! Este mês, além da viagem marcada a Barcelona de A-320, vou aproveitar as promoções de 1€ da Ryanair e dar uma voltinha até Madrid de 737-800... Para quem quiser aproveitar, destaco também a fantástica promoção da TAP para 35 cidades europeias a 64€. A não perder!(vide artigo do DN de hoje)



Assim (quase) todos podemos voar!

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