domingo, 21 de setembro de 2008

Barcelona - As festas de "La Mercè"


Como já referi noutro post, as minhas férias de Setembro foram voltadas para as 3 maiores cidades da península, sendo que a principal viagem foi para a capital do modernismo - Barcelona.

Por mais vezes que lá vá, e já lá vão algumas, não dispenso uma visita anual. Esta cidade continua a ser a minha preferida, por conjungar uma série de aspectos que aprecio, desde logo, a singularidade da arte e arquitectura, conjugadas com uma ambiente cosmopolita único.

Este ano fui com um velho colega do liceu e dois primos, que ainda não conheciam a "ciutat comtal".

Chegamos ao final da tarde de quarta, 17 SET, ao aeroporto e seguimos de comboio para a cidade. Saímos em plena Eixample, no Passeig de Gràcia, e de imediato nos deparamos com uma visão sublime - a casa Batló iluminada e enormes passeios carregados de turistas que aproveitaram as festas da cidade para se deslocarem até à capital catalã.

Seguimos sempre até ao Hostal La Palmera, no início do Raval, por detrás do Mercat de la Boquería, o mais famoso mercado de Barcelona. Com as Ramblas bem perto, não resistimos a ramblear um pouco. Todos elogiamos a animação e felicidade presentes, a contrastar com o espírito pessimista e derrotista que observamos por cá... Seguiu-se um café numa das esplanadas perto do MareMagnum, junto ao Port Vell.


Na quinta-feira decidimos fazer uma viagem pela zona "alta" da cidade. Começamos pela minha igreja favorita, o Temple Expiatori de la Sagrada Família, em construção desde 1882 e cuja data de término será, possivelmente, no centenário da morte de Gaudi, em 2026.

Projecto assumido por Antoni Gaudi pouco depois do início, demonstra todo o seu génio e originalidade na concepção em si, continuado por seus discípulos após a sua inglória morte em 1926. É um templo cujo projecto final, perdido na Guerra Civil de Espanha, contempla 3 fachadas principais: da Natividade, a primeira a ser concluída; da Paixão, já completa; e da Glória, ainda por construir. Como os nomes indicam, representam as várias fases da vida de Jesus Cristo. Cada fachada tem 4 torres que representam 4 apóstolos. Por construir estão ainda, além da fachada da Glória e as suas 4 torres, outras 6 torres, das quais 4 irão representar os 4 evangelistas através de esculturas simbólicas (S. Lucas através de um touro, S. Mateus como homem alado, S. João como águia e S. Marcos como leão). Para terminar esta simbologia serão construidas 2 gigantescas torres, uma simbolizando a Virgem Maria, e outra, de 170 m, simbolizando o próprio Jesus Cristo. De referir que esta última tem exactamente menos um metro de altura que a colina de Montjuic, pois Gaudi não acreditava que a criação humana devesse ultrapassar a divina...

Continuando para a zona alta da cidade, e com Gaudi em mente, fomos ao Parc Güell. Saímos do metro em Vallcarca e subimos todos aqueles lanços de escadas... rolantes! O nome do parque provém de Eusebi Güell, amigo e mecenas de Gaudi. Destaca-se pelas esculturas, caminhos, pela vista sobre a baixa da cidade e, em particular, pela sala hipóstila, pela casa onde Gaudi viveu os seus últimos anos e por aquilo que se converteu num dos símbolos da cidade, o dragão que se encontra na entrada principal.

Afastando-nos cada vez mais do centro, subimos, agora de comboio, até à praça Kennedy onde gostariamos de andar no "Tramvia Blau". Pois, mas o clássico eléctrico não estava em funcionamento, pelo que tivemos de subir até ao funicular do Tibidado de autocarro. Junto a este funicular há um pequeno café panorâmico que nos desafia a identificar os vários pontos da cidade. Esta vista já deixa transparecer o que virá a seguir...

Na zona do Tibidabo, que etimologicamente significa "dar-te-ei", pudemos ver um parque de diversões que data do séc. XIX, a enorme torre Collserola, projectada para comunicações por Norman Foster e o exuberante Temple Expiatori del Sagrat Cor, cujo sopé fica a 500m de altura em relação ao mar. Subindo até aos pés do enorme cristo que está no topo, ficamos com a vista mais completa da cidade (575m), sendo que, em dias limpos, se vêem os Pirenéus de um lado e a ilha de Maiorca em frente...

Nesse noite, depois de muito ramblear e ir ver a casa Milà e as casas da "ilha da discórdia", assim chamada por estarem juntas 3 casas dos três principais vultos do modernismo catalão (Gaudi, Puig i Cadafalch e Domenèch i Montaner) o Roberto e eu decidimos explorar o Raval indo sempre... sempre... até à praça de espanha! Já estávamos a desvendar o que viria no dia a seguir, a zona de Montjuic.

Ao final da manhã saímos do metro precisamente junto às torres vezenianas, outrora a entrada da exposição universal de 1929 e tomamos café junto à Fonte Mágica. Seguimos junto ao MNAC, donde se obtem mais uma excelente perspectiva da cidade. Quando penso que aquele edifício, cujo desenho e imponência fazem lembrar o parlamento de Budapeste, nem 100 anos tem, acredito mais facilmente que Barcelona é das cidades com maior grau de desenvolvimento na Europa, nos últimos 150 anos, desde o derrube das muralhas e formação da Eixample...

Fomos até junto do Palau Sant Jordi, incrível multiusos desportivo inteligente, desenhado por Arata Isozaki e experimentamos uns cocktails junto do Estádio Olímpico, actualmente usado pelo Espanyol. Neste local é bem visível toda a beleza e magnitude da torre Calatrava, mais uma torre de telecomunicações da cidade, neste caso desenhada pelo homónimo arquitecto valenciano.

Ainda não foi desta que visitei a versão espanhola do Portugal dos Pequeninos, o Poble Espanyol, também situado em Montjuic. Optamos por uma volta de teleférico (algo que ainda não tinha experimentado!) e subimos ao Castelo de Montjuic, onde se encontra o Museu Militar e onde se vê na perfeição os vários portos da cidade (o Port Vell, o cais turístico onde estavam 4 paquetes, o enorme porto de carga e o aero...porto!)

Já estávamos a meio da tarde, por isso descemos no funicular de Montjuic até ao centro e, enquanto o Chico foi a uma festa particular, aproveitamos para entrar em contacto mais directo com o mar! Uma das imagens de marca desta cidade são precisamente as Golondrinas, que existem de dois tipos. As maiores, tipo caramarã, permitem visão submarina nos seus cascos e levam-nos por toda a costa em frente à cidade, por um preço bastante acessível!

Nesse dia optamos por jantar na zona da Barceloneta e ver alguns dos concertos que já começavam um pouco por toda a zona central, como também pela zona do Fórum. Nessa noite, ao regressar da Estació del Nord pelo Parc de la Ciutadella, este fechou a saída sul connosco e mais alguns turistas lá dentro! Valeu a boa vontade de um funcionário de limpeza nocturna que nos abriu o portão...

No Fórum o ambiente era de muitaaaaaaaaaa festa! É uma enorme estrutura icónica da nova Barcelona, em forma de triângulo, e decorre do "Fórum Universal de Culturas de 2004". Desta vez estava preenchido com DJ's de electrónica e muita gente a vibrar, mais três palcos nas imediações... Tanta gente a passear pela rua e em concertos, fizeram-nos lembrar um S. João a uma enorme escala!

À vinda aproveitamos para parar junto às Torres gémeas (torre Mapfre e hotel Arts, no estilo modernismo hi-tech) observando alguma da street art presente, como o famoso "Peixe" de F. Gehry, uma escultura dourada, em forma de peixe, com 54 metros de comprimento...


Estivemos a dormir até tarde, para relaxar da noite anterior e eis que acordo com um espectacular som de uma banda de música que desfilava pelo Mercat! Outras se seguiram, afinal era um concurso de bandas!

Optamos por fazer um dia livre, de passeio pelo centro... . É então que o Chico nos conta que tinha sido assaltado mesmo ao chegar ao Hostal, quase ao amanhecer, felizmente sem consequências, já que não trazia qualquer nota na carteira...

Depois de passear pelo Barri Gòtic junto ao Palau de la Generalitat, subindo pela Seu (catedral) até à casa Milà, que alberga o Museu Gaudi. Neste espaço destaco o design do sótão e as maquetas que possui das obras de Gaudi, o fantástico telhado, se é que lhe podemos chamar isso, com as suas invulgares chaminés, em forma de elmo de cavaleiro medieval... Um dos andares está decorado exactamente como era um andar burguês da Eixample na dinâmica Barcelona do início do séc. XX.

Passamos também junto à célebre casa Les Punxes, na Avinguda Diagonal, e aproveitamos para fazer mais umas fotos...

No restante dia, deambulamos pelo centro histórico e, enquanto o Chico foi com o irmão ver "Primal Scream" grátis, a propósito do BAM (Barcelona Acciò Musical), o Roberto e eu tivemos oportunidade de ver um grupo de "batucada", chamado "Brincadeira" com uma energia e um ritmo fora do normal! Toda a gente parava naquela zona da Rambla para os ver!


Chegados ao último dia, aproveitamos o final da manhã para comprar os habituais "recuerdos", e deslocamo-nos para o aeroporto. Comemos qualquer coisa no aeroporto e até nos acabamos por atrasar no embarque, parecia que a cidade nos queria mais tempo lá...


Até à próxima, Barcelona!


(vide http://www.bcn.cat/merce/ca/index.shtml para as festas de "La Mercè" e http://www.geocities.com/medit1976/index.htm para a arquitectura da cidade)

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